A restrição ao uso de celulares nas escolas contradiz a obrigação dos educadores de ensinar o uso responsável da tecnologia e lidar com o cyberbullying e o bem-estar dos estudantes nos contextos e dispositivos em que esses problemas ocorrem (Campbell et al, 2024)
Conceitos
- Letramento Digital: Magda Soares (2002) conceitua letramento como, o estado ou condição de quem exerce as práticas sociais de leitura e escrita, de quem participa de eventos em que a escrita é parte integrante da interação entre pessoas e do processo de interpretação dessa interação com os eventos de letramento.
Por sua vez, Buckingham (2015) entende o letramento digital em três dimensões:
a) crítica: análise e crítica dos contextos sociais, econômicos e políticos de uma tecnologia em particular, e a compreensão de como isso afeta a vida das pessoas.
b) criativa: produção cultural com as tecnologias.
c) funcional: habilidade de operar as tecnologias.
Segundo Livingstone (2021), a aprendizagem de habilidades críticas de letramento digital tem maior relação com resultados positivos para as pessoas do que habilidades funcionais. - Estratégias e estilos de mediação do uso de tecnologias digitais: a mediação significa o acompanhamento, a orientação e/ou a regulação do uso de tecnologias digitais por crianças, adolescentes e jovens. As estratégias de mediação do uso podem ser ativas ou restritivas, e são comunicadas em diferentes estilos:
a) estilo que valoriza a autonomia e
b) estilo inconsistente ou controlador.
Há indícios de que o estilo de mediação para a autonomia é mais determinante para o sucesso da educação para o uso de dispositivos digitais e de que mesmo restrições ao uso comunicadas no estilo voltado para a autonomia são mais eficazes do que restrições utilizadas num contexto controlador ou autóritário (Valkenburg et al, 2013; Valkenburg, 2017). - Uso problemático: A literatura acadêmica não sustenta a ideia de que haja vício em celular, havendo sérias críticas ao uso dessa palavra, indicativa de doença. Nesse sentido, sugere-se falar em “uso problemático ou inadequado” (Panova; Carbonell, 2018), para o qual as soluções mais indicadas são fortalecer regulamentações que garantam que as plataformas criem ambientes on-line mais adequados e seguros, respeitar os direitos dos jovens, consultando-os sobre decisões que afetam sua participação on-line, promover o letramento digital (em especial, na sua dimensão crítica) e valorizar a mediação do uso dos celulares no estilo voltado para a construção da autonomia dos sujeitos.
Referências
Alguns textos abaixo estão no original, em inglês. É possível realizar a tradução on-line para o português
Adolescência e Cultura Digital
– 10 mitos sobre tecnologias digitais e saúde mental
– 10 problemas com o livro ‘Geração Ansiosa’, de Jonathan Haidt
– A proibição de redes sociais para adolescentes, na Austrália, não vai funcionar
– A decadência do conceito de tempo de tela
– Existe mesmo vício em smartphones?
– Parem de envergonhar os jovens sobre suas redes sociais
– Práticas digitais de adolescentes no recreio de uma escola pública
– Recreio, adolescência e práticas digitais
– Diálogo com crianças e jovens sobre cultura digital
– Redes sociais e saúde mental
– Tese de doutorado: Entre celulares, tablets, consoles e computadores
– Comentário 25/ONU – Direitos das Crianças no Mundo Digital
Letramento digital e mediação do uso
– Tempo de recreio, tempo de formação: a educação para o uso de dispositivos digitais de adolescentes da educação básica
– Definindo letramento digital: o que os jovens precisam saber sobre as mídias digitais
– Evidências contra e a favor da proibição de celulares nas escolas
– Tecnologias digitais e educação de adolescentes: ensino, gestão, pesquisa e extensão
– A criação de filhos na era digital
– Letramento digital de plataformas
– Resultados de ações de letramento digital
– Mediação parental do uso de tecnologias digitais
– Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura
– Conceitos de letramento digital
– UNESCO – Marco referencial de competências em IA para estudantes
– Adolescência, desinformação e eleições
Organização do trabalho docente
– GPT “O professor de história”
– ChatGPT e educação
– MEC – Guia de Educação Digital e Midiática
– Educação midiática e EJA
– UNESCO: Inteligência Artificial e educação
– UNESCO – Marco referencial de competências em IA para professores
– UNESCO – Mapeamento de currículos de IA aprovados por governos
– Safernet – Caderno da Disciplina de Educação para a Cidadania Digital
– Referencial Curricular Inteligência Artificial no Ensino Médio


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